O meu projeto felicidade

Em 2010 teve início uma fase bastante complicada da minha vida. Um aborto, problemas de saúde meus e de meus filhos, problemas domésticos e problemas com trabalho. Uns depois dos outros, em alguns momentos uns se sobrepondo a outros.

Eu, que já tinha tido crises depressivas, tenho insônia crônica e sou muito crítica e exigente comigo mesma, tive bastante dificuldade em processar todos esses episódios. Felizmente, junto com essas características que agravaram minhas crises, eu tenho outras que me ajudaram. Uma curiosidade inata e uma paixão por pesquisar e ler. Me ajudou também o fato de, em função do trabalho, ter acesso a excelentes profissionais de saúde.

Assim, eu comecei a descobrir e me interessar por uma área da psicologia conhecida por Psicologia Positiva ….
Então, eu que sempre me interessei por psicologia, me apaixonei por essa linha que analisa mecanismos que melhoram a qualidade de vida das pessoas, e que são de fácil adoção por qualquer um, independente de acompanhamento profissional especializado. Alguns tem seu impacto amplamente conhecido e reconhecido, enquanto outros têm impacto menos óbvio no bem estar das pessoas. Além disto, uma coisa que senti pessoalmente, foi o poder da espiral positiva – quanto melhor eu me sentia mais vontade e disposição para tentar outras estratégias eu tinha.

Um bônus extra, que facilitou a minha aproximação com essa linha de conhecimento, foi a fundamentação científica dos livros e artigos. As técnicas são tão simples e triviais que, não fosse este embasamento, eu possivelmente as teria descartado por preconceito com auto-ajuda.

Quando comecei a compartilhar alguns dos meus achados em conversas pessoais e nas redes sociais, me surpreendi com o grande número de pessoas de perfis muitas vezes inesperados, que estavam vivendo os mesmos tipos de angústia que eu, por motivos diferentes. Independente das causas pessoais, a maior parte das pessoas com quem tenho falado se queixam das mesmas coisas: falta de tempo, excesso de stress, saúde e forma física debilitadas, convívio familiar e social prejudicado e, diante de tudo isso, questionamentos profundos sobre o propósito de se viver no contexto social em que vivemos. Muita gente pensando em rever carreira, rever valores, rever a dedicação de tempo – e muitas vezes sem encontrar respostas.

Não posso dizer que tenha encontrado as minhas. Ainda convivo com todas ou quase todas essas questões. Mas tenho me sentido menos refém e menos impotente diante delas – e, consequentemente, menos perdida. E, a cada dia que passa, descubro mais coisas e me empolgo mais.