Mude o seu cérebro e viva melhor

Richard Davidson é PhD em neuropsicologia. Ele é o cara que primeiro estudou, por sugestão do Dalai Lama, o cérebro do monge budista Matthieu Riccard, que foi considerado “o homem mais feliz do mundo”, em função da análise de seus exames de ressonância magnética.

Desde então, Davidson se dedica a estudar a relação entre cérebro, mente e emoções. Em seu livro “O Estilo Emocional do Cérebro”, ele descreve seis “traços” emocionais que qualificam o cérebro:

1. Resiliência: o quanto você se recupera rapida ou lentamente de adversidades?
2. Perspectiva: quanto tempo uma emoção positive persiste após um evento feliz?
3. Intuição social: o quanto você é preciso em detectar pistas não verbais sociais de outras pessoas?
4. Contexto: Você consegue regular suas emoções de uma forma sensível ao contexto?
5. Auto-percepção: você está atento aos sinais que seu corpo dá relacionados a emoções?
6. Atenção: você é focado ou distraído?

Mas a beleza do seu trabalho, não reside nesta tipificação. Davidson comprovou em seus estudos na Universidade de Wisconsin-Madison que esses estilos podem ser alterados voluntariamente. Isso é possível em função da neuroplasticidade.

Segundo ele, neuroplasticidade é “a habilidade do cérebro adulto de alteral sua estrutura ou funcionalidade de uma forma permanente”. Os estudos de neuroplasticidade tem derrubado por terra a crença de que nossos traços de personalidade são inatos e permanentes. Ainda que a herança genética nos predisponha a ser mais pessimista, ou menos resiliente, é possível alterar intencionalmente esse padrão. Nas palavras dele:

“O cérebro não é imutável nem estático – na verdade, ele é remodelado continuamente pela vida que levamos.”

Mas como?

Treino.

Técnicas como a meditação e a terapia cognitivo-comportamental foram testadas por ele e sua equipe, com resultados significativos. “O treinamento mental nos permite alterar os padrões de atividade e a própria estrutura de nosso cérebro, fazendo-nos modificar nosso estilo emocional e levar uma vida melhor ”, garante o cientista.

As 4 chaves do bem estar

Em um outro artigo, publicado na revista Greater Good, da Universidade de Berkeley, Davidson declara que o bem estar é uma competência a ser desenvolvida. Ainda com base na neuroplasticidade, ele afirma que aprender a viver melhor é comparável a aprender a tocar violoncelo. Ele desconstrói o bem estar em quatro aspectos, que podem ser trabalhados e aperfeiçoados:

1 – Resiliência

A resiliência é a rapidez com que a pessoa se recupera das adversidades. Uns se recuperam lentamente e outras pessoas se recuperam mais rapidamente. As últimas, naturalmente, apresentam maiores níveis de bem estar. Ao se recuperar, eles se protegem dos efeitos e consequências dessas adversidades. A meditação aumenta essa capacidade de resposta. Não é algo que se perceba instantaneamente, mas a pratica regular gradativamente produz esse efeito.

2 – Perspectiva

Davidson define perspectiva como “a capacidade de ver o lado positivo dos outros, a capacidade de saborear experiências positivas, a capacidade de ver outro ser humano como um ser humano que tem bondade”. Se a resiliência falava de rapidamente se recuperar de situações adversas, a perspectiva diz respeito a gastar mais tempo apreciando as experiências e sensações positivas.

Em seus estudos, eles também conseguiram aumentar essa capacidade nos indíviduos por meio de meditação. Mas, de um tipo específico de meditação: a meditação da compaixão. A boa notícia é que, neste caso, foram identificados alerações significativas dos cérebros dos envolvidos com apenas duas semanas de prática.

3 – Atenção

Nesse mundo de multitarefas, este é um importante ponto de atenção. Foi identificado em um estudo com um grande grupo de pessoas nos Estados Unidos que as pessoas passam em média 47% do seu tempo sem prestar atenção ao que estão fazendo. Se a atenção é um componente chave do bem estar, imaginem o estrago!

4 – Generosidade

Sabe aquela sensação leve e boa que fica quando você ajuda alguém? Existem atualmente muitos dados que mostram que, quando os indivíduos se envolvem num comportamento generoso e altruísta, eles realmente ativam circuitos no cérebro que são fundamentais para a promoção do bem-estar.

Todas essas quatro chaves podem ser trabalhadas, consciente ou inconscientemente, por ações que tomamos no nosso dia-a-dia. Ao toma-las (ou não) estamos moldando nossos cérebros e influenciando nossa qualidade de vida futura. Cabe a cada um de nós portanto, assumirmos a responsabilidade por caminhar na direção que julgarmos a melhor – e não ficarmos culpando nossos pais ou nossos genes.

“Mudanças permanentes acontecerão a partir de práticas mentais, que mudam os padrões de nossas atividades mentais”.