Minha primeira corrida

140516 pésCorrer minha primeira prova de 5k foi uma experiência transformadora. Eu aprendi coisas que eu jamais poderia antecipar. E o que se aprende na prática tem um poder transformador muito maior do que o que se aprende nos livros.

Aprendi muito sobre a importância de se estabelecer um objetivo e um prazo. Se eu não tivesse marcado uma data, pago e me comprometido com várias pessoas, eu ainda estaria aqui me preparando para quem sabe um dia correr. Uma semana antes da prova, ao treinar, eu seria capaz de jurar que eu não estaria em condições uma semana mais tarde.

Eu tive várias boas desculpas para não treinar. Tive dias em que realmente não consegui. Mas eu me virei, reagendei, comprometi outras tarefas menos prioritárias, mas fiz acontecer.

Aprendi sobre fazer acontecer a despeito do ideal. Como acabei de falar, não consegui cumprir minhas metas de treino. Mas, mesmo assim, treinei, evoluí, e, mesmo não estando 100% pronta eu fui lá.

Aprendi sobre o poder de influência do grupo. Estar lá, no meio de todas aquelas pessoas, ver que elas são tão normais quanto eu – umas mais preparadas, outras bem menos, mas todas ali, numa noite fria de sábado, me deram energia para ir em frente.

Aprendi a ouvir o meu corpo. Eu, que fui para a prova com o objetivo de concluir, ainda que precisasse caminhar, de repente queria muito correr o percurso todo. E o único jeito foi “negociando” com minhas pernas, com meus joelhos, com meus pulmões. Ouvindo minha respiração e modulando o ritmo.

Aprendi sobre a importância do incentivo e sobre a generosidade. Teve tanta gente que torceu por mim, que acompanhou o meu desafio, que estava na expectativa. Teve um anjo da guarda que se desdobrou para estar lá, e não admitiu sair do meu lado, ainda que isto comprometesse o seu próprio resultado. Foi principalmente por causa deste anjo que eu me senti compelida a ir até o fim correndo.

E, por fim, aprendi sobre a importância da equipe. Na tarde da prova meu pequeno passou mal, e eu tive que deixar o pai com os dois pequenos. Tive que pegar o carro e ir sozinha, um pouco assustada com isso, e com a minha princesa frustrada por não poder ir torcer. E eu, mais ainda por não poder contar com esse incentivo.

Quando acabou a prova, meu primeiro instinto foi pegar o telefone pra saber se o pequeno estava bem. E descobri que o pai tinha pego os dois, agasalhado e estava a caminho para me receberem no fim, a despeito de tudo! Eu que já estava eufórica fui tomada por uma gratidão indescritível.

Eu comecei a correr não só para melhorar minha qualidade de vida. Comecei principalmente pela curiosidade e pela dificuldade de entender os “viciados” em corrida. A experiência deste sábado já muito mais que superou toda e qualquer expectativa que eu tivesse em termos de retorno e gratificação!