Meditar é difícil? Chato? Vale a pena?

Quando eu quis começar a meditar, eu demorei muito tempo para começar. Porque meditar era uma coisa muito distante, muito fora da minha realidade, muito inacessível. As primeiras informações que eu busquei me deixaram com a impressão que eu tinha que:

1 – encontrar um guru

2 – sentar por horas com as costas retas, e

 

3 – não pensar em absolutamente nada

Nada disso parecia viável para mim. Não tinha tempo e acesso a um guru, tenho muitas dores nas costas para ficar sentada por tanto tempo, e não pensar em nada era impensável para uma pessoa hiperativa.

Aos poucos, pesquisando um pouco mais, e com o incentivo de uma amiga que já vinha meditando, eu derrubei estes e outros mitos, e comecei aos pouquinhos. Algumas coisas que eu aprendi neste processo:

1 – você não precisa de nada nem ninguém para meditar. No começo ajuda muito um pouco de direcionamento, mas você pode encontrar em vários sites e aplicativos. Basta pesquisar “meditações guiadas”no google e aparecerão várias.

2 – sim, a posição mais recomendada é sentada com as costas retas. Mas é possível meditar em qualquer posição. Idealmente, procure uma em que seu corpo não esteja desconfortável e se torne uma distração. Eu só medito deitada.

3 – Meditar não é não pensar em nada. Meditar é observar sua mente funcionando, e tentar trazer foco a esses pensamentos. Observá-los passando pela mente, e escolher não se entregar a eles e continuar concentrado em alguma coisa, como a respiração, as sensações do corpo, um mantra ou uma idéia.

Com o tempo (sim, não é imediato) você começa a se perceber mais calmo, mais tranquilo, mais consciente dos seus pensamentos, e começa a ter mais controle sobre a sua resposta aos sentimentos. Então, quando alguém te irritar, antes de você reagir aos gritos, você se lembrará de parar, respirar fundo, e não se deixar dominar pelo mau humor!

Além dessa sensação de calma, tem os muitos benefícios cientificamente comprovados da meditação: melhorar o sono, a imunidade, a pressão arterial, a sensação de bem estar… dentre muitos, muitos outros. Mas, tente não meditar pensando nos resultados. Aproveite a sensação de calma que a prática promove, pois a própria ansiedade por resultados pode atrapalhar o processo, como relata este post recente do site Mindful:

“As soon as we try to get something else, or be somewhere else, we move into desire or aversion, rather than accepting the reality of how and where we are. This creates trouble. We try to work out how to get calm, or get rid of negativity, or force insight to come.”

Ah, e só mais uma observação: meditar é que nem desenvolver músculos: não adianta ficar uma hora meditando uma vez por mês – funciona muito melhor se você puder tirar 5 minutos por dia para praticar!