Felicidade ao redor do mundo: Dinamarca

 

Para entender melhor a felicidade – conceito que varia entre países, vamos tentar entender mais de perto alguns que são referência neste assunto.

Um deles é a Dinamarca. O que faz com que um país que tem baixíssimas temperaturas, pouca incidência de sol e impostos dentre os mais altos do planeta tem que o faça ser considerado um dos mais felizes do mundo?

Atualmente, várias organizações realizam pesquisas internacionais sobre felicidade, como o Gallup, o World Values Survey e European Social Survey. E a Dinamarca sempre figura no topo desses rankings de felicidade. No World Happiness Report das Nações Unidas ficou em primeiro lugar no ranking em 2012, 14 e 16 – e entre os 3 primeiros lugares em todos os outros anos.

Apesar do destaque que é dado à Dinamarca, os demais países escandinavos, assim como a Holanda, Suíça e Canadá, também figuram sempre no topo destas listas, e nos ajudam a entender melhor o que faz com que a população destes países, quando avaliada, reporta os mais altos níveis de felicidade. O primeiro lugar do ranking da ONU deste ano ficou com a vizinha Noruega, por exemplo.

Vale ainda ressaltar que a felicidade avaliada nestes estudos é a satisfação geral de longo termo com a vida. Não se trata da percepção de momentos de felicidade no dia-a-dia.

IGUALDADE SOCIAL

Parte desta felicidade tem a ver justamente com os impostos. A Dinamarca é um país com pouca desigualdade social. Todos os trabalhadores contribuem com alto percentual de seus salários, mas estes são revertidos em benefícios que reduzem os níveis de insegurança e incerteza em relação ao futuro – com destaque a moradia, saúde, assistência a idosos e desempregados.

Isto permite com que todos os cidadãos exerçam as suas atividades sem se preocupar com a sobrevivência e com o futuro, reduzindo os níveis de ansiedade. Permite também que cada um escolha e desempenhe seus trabalhos com segurança, respeito e reconhecimento social, seja ele um CEO ou um carteiro, ou faxineiro.

Em um estudo conduzido por Robert Biswas-Diener, Joar Vittersø and Ed Diener, foi identificado que os dinamarqueses mais ricos não eram tão felizes quanto os americanos mais ricos. Portanto, a grande diferença dos resultados das pesquisas vem da diferença dos indices de felicidade dos mais pobres. Portanto, além de menor desigualdade financeira e social, os dinamarqueses registram menores níveis de desigualdade de felicidade!

DINHEIRO TRAZ FELICIDADE?

A conclusão então é esta, certo? Quanto mais ricas, mais felizes são as pessoas? Até certo ponto. Pesquisa realizada na Case Western University aponta que a partir de uma renda familiar anual de U$ 70 mil, o aumento da renda começa a provocar uma felicidade marginal decrescente, que zera por volta de U$200 mil.

Outro dado que evidencia isto é a relação histórica entre felicidade e riqueza nos EUA. Nos últimos 40 anos, apesar de um crescimento contínuo do PIB, os níveis mensurados de satisfação com a vida permanecem praticamente estáveis.

 

CONDIÇÕES DE TRABALHO

Com o alto nível de riqueza de seu país e com as garantias sociais, os dinamarqueses se sentem mais livres para mudar de emprego. Isso traz mais autonomia e a possibilidade de escolher um trabalho com o qual se identifiquem. E a percepção de sentido no dia-a-dia é um elemento fundamental para a satisfação com a vida.

E não é só. Os horários são mais flexíveis. A jornada de trabalho é menor, e o (mal)hábito de trabalhar além do horário não existe por lá. Eles, portanto, têm uma rotina mais previsível e mais equilibrada entre trabalho e tempo de lazer com a família e amigos. A jornada de trabalho se encerra as 5, deixando bastante tempo para a interação social e familiar.

 

HYGGE

Igualdade social, riqueza, equilíbrio, satisfação no trabalho são fatores importantes. Mas, estes estudos mostram que, apesar da satisfação geral com a vida ser alta, a percepção de momentos de felicidade nem tanto.

Nada admirável, considerando as condições climáticas, e uma cultura que privilegia e respeita o individualismo, certo?

Nem tanto. Os dinamarqueses praticam uma filosofia de vida que tem um nome sem tradução. Hygge (pronuncia-se HOO-GA) pode ser entendido como um aconchego da alma. O lar é tido como um santuário, onde eles se aconchegam, convivem com família e amigos, e criam um ambiente aconchegante. Alguns dos elementos-chave do hygge são:

  • Um ambiente aconchegante. Eles se preocupam com a decoração, com a atmosfera, aromas e iluminação. O uso de velas é abundante. Cobertores, meias, xícaras de chá e café e taças de vinho são muito mencionados também.
  • Tradições e reuniões de famílias e amigos. Jantares, encontros, comemorações, preparar receitas tradicionais. Tudo isso é mencionado, mas, o ápice do Hygge são as comemorações de Natal. O Natal tem uma importância central na cultura dinamarquesa.
  • Pequenos rituais a sós também são expressões de hygge. Um banho de banheira à luz de velas. Ler um livro debaixo de um cobertor quentinho.
  • Como era de se esperar, a maior parte das referências têm a ver com o inverno, mas eles afirmam que o verão também pode ser hygge. Piqueniques no jardim de casa, passeios de bicicleta e programas ao ar livre em família são menções destacadas.
  • Para compor a atmosfera, também é valorizada uma atmosfera de relaxamento, de calma e introspecção.

 

Referências:

Biswas-Diener, R., Vitterso, J., & Diener, E. (2010). The Danish effect: Beginning to explore high well-being in Denmark.

The Happiness Research Institute. The Happy Danes