Encarar desafios – fazer algo novo

Eu gostaria muito de emagrecer. Mas me recuso a abandonar as sobremesas. E atividade física? Nem pensar!

Quero muito mudar de emprego. Mas não encontro coragem para voltar a estudar.

Daria tudo para ter a minha casa própria. Mas não resisto a fazer umas comprinhas toda vez que entro no shopping.

 

 

 

A gente fala sempre sobre felicidade. Sobre ser mais feliz.

As pesquisas científicas já comprovaram que ser mais feliz é possível. Mas, não tem milagre.

Toda mudança requer um esforço. Não se mudam os resultados sem mudar as causas. E, se o que se busca é uma mudança consistente de estado de espírito, de percepção sobre a vida, é necessário que se faça mudanças na vida.

“É insano repetir os mesmos erros esperando resultados diferentes”*

Ler livros sobre psicologia positiva não mudaram minha vida. É preciso que se ponha em prática o que se aprendeu. Não basta aprender, é necessário viver a lição.

No meu curso de meditação vipassana, aprendi que o conceito de sabedoria deles é dividido em três partes.

A primeira, é a sabedoria adquirida ao travar contato com alguma informação.

A segunda, a sabedoria intelectual, é a sabedoria adquirida ao se testar e aceitar a informação adquirida.

A terceira (Bhavana-maya panna em Pali), e que promove benefícios reais, e a sabedoria experimentada. É a sabedoria decorrente da experiência direta.

Achei lindo, porque era algo que eu já vinha elaborando antes do curso. Já tinha inclusive rascunhado este texto.

Fazer coisas novas tem vários benefícios.

Quando você faz algo de novo, você sai da zona de conforto. Você é forçado a se observar, se reconecta automaticamente com suas percepções e sensações. Isso gera auto-conhecimento.

O processo de aprender algo diferente aumenta a auto-confiança e a coragem. Percebe-se que os limites pessoais são mais amplos e maleáveis. E, uma vez que você se dá conta de que adquiriu esta auto-confiança e coragem, você se apropria delas para as outras áreas da sua vida.

Fazer coisas diferentes também aumenta os horizontes. Você se interessa por coisas novas. Pesquisa assuntos novos. Faz contato com gente diferente. Se expõe a novas formas de pensar e ver o mundo.

Em resumo, ao fazer coisas novas você é forçado a crescer. Independente de você levar adiante aquilo que aprende, de gostar ou não gostar, você sempre sairá de um novo aprendizado ao menos um pouco transformado. Você sai mais forte, com um horizonte ampliado, com novas idéias e novas experiências.

 

Falo pela minha própria experiência

Desde que eu comecei a estudar a felicidade, fiz muitas coisas diferentes.

Fiz um curso de psicologia positiva, onde fui provocada e acabei indo também fazer um curso de coaching. Aprendi coisas novas, conheci gente diferente, com outros perfis e vivências, bem diferentes da minha trajetória até ali.

Comecei a me interessar por muitos outros assuntos correlacionados, que hoje são também assunto das minhas pesquisas.

Fui fazer yoga.

Me interessei por uma alimentação mais saudável. Promovemos várias mudanças na alimentação da família toda.

Eu, que sempre fui totalmente sedentária, comecei a correr. E tendo começado a correr e comentado com uma amiga corredora, me inscrevi numa prova de 5km. E depois me juntei a um grupo de corrida. Fiz novos amigos corredores, que me ajudaram a me convencer de que correr não só era saudável, mas também muito prazeroso. Fiz outra prova de 10km, e hoje corro regularmente, 3 vezes por semana.

Comecei a meditar. Ao começar a meditar, minha filha pequena se interessou e ela agora medita diariamente, há quase dois anos. Meu marido se interessou, e medita esporadicamente. Recentemente fiz um retiro de dez dias de meditação. Um processo profundo e transformador de auto-conhecimento, que me trouxe uma nova visão de mim mesma, e, de quebra, uma amiga meditadora, que tem me inspirado a manter a regularidade e aumentar minha prática.

E todas essas mudanças, e muitas outras mais sutis e profundas, me deram a confiança de que eu sou capaz de muito mais do que jamais acreditei. Ganhei novos amigos e um novo estilo de vida. Tive relatos de vários amigos de que influenciei mudanças parecidas em suas vidas.

Mas, que mudanças?

Toda nova experiência é positiva. Os cientistas têm descoberto que travar novos conhecimentos estimula a produção de dopamina. Novas formas de agir promovem a neurogênese. Portanto, além de todo o resto, aprender por aprender já promove bem estar.

Aprenda uma língua nova. Um instrumento musical.

Não é necessário voltar para a escola. Leia sobre um assunto diferente. Aprenda uma receita nova.

Entre em contato com pessoas com interesses parecidos. Os benefícios se multiplicam, pois você expande seus relacionamentos, que é outra chave do bem estar.

Agora, se você busca um resultado específico, como emagrecer, um se livrar de um vício, ou conseguir um emprego novo, comece por mudanças pequenas e sustentáveis.

Divida com outras pessoas sua iniciativa e objetivos. Quando se compartilha, se cria um compromisso e uma motivação para persistir na mudança.

Junte-se a outras pessoas com objetivos comuns. Esta é a base do sucesso de grupos como AA e Vigilantes do Peso. Troquem experiências. Se apoiem.

“Na mente iniciante, existem muitas possibilidades; na mente experiente, existem poucas”. (Shunryu Suzuki)

 

 

 

 

* Esta frase é atribuída a Einstein, mas o primeiro registro que encontrei foi de um manual dos Narcóticos Anônimos.