E no final, o que conta?

red-heartA gente passa a vida sem muita reflexão, fazendo coisas mesquinhas, mas, no fim, o que conta são as emoções positivas, certo?

Ah, mas não é assim para todo mundo. Tem gente que é essencialmente ruim, que tem maldade no coração. As tais emoções positivas não são importantes para todos. Certo?

Foi publicado ontem, no Scientific American  um artigo relatando um estudo feito com 534 prisioneiros sentenciados com pena de morte e executados no estado do Texas entre 1982 e 2016. Dos 534, 417 optaram por fazer uma declaração final. Estas declarações foram analisadas por um programa computadorizado de análise de textos, mostrando uma prevalência estatisticamente significativa de uso de palavras relacionadas a emoções positivas, em relação a negativas.

Os dados foram comparados a uma extensa base de dados de textos como artigos, blogs, romances e diários, e também comparados com textos produzidos por estudantes convidados e imaginar sua própria morte e redigir uma declaração, mostrando maior incidência de emoções positivas nas declarações dos executados. Algumas das declarações que o artigo transcreve:

“To my family, to my mom, I love you.”

“I appreciate everybody for their love and support. You all keep strong, thank you for showing me love and teaching me how to love.”

“I want to tell my sons I love them; I have always loved them.”

“I would like to extend my love to my family members and my relatives for all of the love and support you have showed me.”

“As the ocean always returns to itself, love always returns to itself.”

 

Este estudo vai de encontro a um artigo publicado no site do Einstein  que repercutiu muito por aqui, em que a Dra. Ana Cláudia Arantes, uma geriatra especializada em cuidados paliativos do hospital comentou um livro escrito por uma enfermeira americana também especializada em cuidados de pacientes terminais, sobre os 5 principais arrependimentos deste perfil de paciente, que são:

  1. Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim
  2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto
  3. Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos
  4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos
  5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz

Somando os dois artigos, o que aparece? Amor, apoio, suporte, vida com sentido, tempo para si, expressão dos sentimentos, amizade, felicidade. E transcrevo a conclusão da Dra. Ana Cláudia:

“O que fica bastante claro quando vejo histórias como essas é que as pessoas devem refletir sobre suas escolhas enquanto têm vida e tempo para fazê-las”.

“Minha dica é a seguinte: se você pensa que, no futuro, pode se arrepender do que está fazendo agora, talvez não deva fazer. Faça o caminho que te entregue paz no fim. Para que no fim da vida, você possa dizer feliz: eu faria tudo de novo, exatamente do mesmo jeito”.