As mídias sociais e a felicidade

Existe alguém hoje em dia que não esteja envolvido com as redes sociais? Acredito que não. Desde os bebês que têm cada instante de sua breve existência publicados pelos pais, até os idosos, que podem até não saber usar, mas acompanham indiretamente o fenômeno através da família, imagino que, se existem pessoas desconectadas, elas devem estar em países ou comunidades muito distantes e desligadas do modus vivendi contemporâneo.

E, em decorrência dessa massiva presença em nossas vidas, as mídias sociais se tornaram objeto de estudo de quase todas as ciências sociais e humanas. Quando esta questão me surgiu na mente, recordei ter visto artigos correlacionando o uso das mídias sociais e fui pesquisar. Previsivelmente, achei de tudo: desde estudos que mostram como o uso delas nos aproxima das pessoas, nos tornando menos isolados até os que mostram que ao se afastar por um tempo das redes sociais, as pessoas relatavam maiores níveis de felicidade do que as de um grupo controle, como é o caso do ” The Facebook Experiment – Does social media affect the quality o four lives”, conduzida pelo Happiness Research Institute na Dinamarca.

Minha percepção pessoal é de que as redes sociais conduzem a distorções e, por consequência, exagero. A tendência é das pessoas nunca mostrarem coisas do seu cotidiano – nunca vi uma foto de alguém tomando um café da manhã prosaico, em casa, por exemplo. Ou serão fotos de um brunch padrão 5 estrelas, ou a mesa de casa estará superproduzida, com um jarro de flores, um suco de laranja fresquinho, tudo muito ideal. Ou, ainda, ao contrário, aquela pessoa que, sem tempo, postará que tomou uma coca-cola, ou que comeu somente uma maçã de café da manhã.

O mesmo acontece com as notícias postadas. Em geral são enormes, catastróficas, exageradas, distorcidas – em geral envolvendo política, futebol, miséria, desastres. Ou, se positivas, espetaculares – o global que comprou o carrão, ou que está de férias na Tailândia.
Minha provocação, e esta não é baseada em nenhum estudo rigoroso de psicologia, é: será que ficar “espiando” essas coisas nos faz mais felizes? Eu, acredito que não. E, por isso, iniciei um processo de reedição de meus “likes” no facebook e instagram, que são as únicas redes que acesso. Aquele ex-colega de muito tempo atrás que só posta polêmicas? Oculto suas publicações, ou simplesmente excluo. Aquela página de notícias prioritariamente sensacionalistas? Tchau! E, quanto mais eu leio e tomo conhecimento de coisas que me inspiram, eu vou incluindo nessas redes. O resultado é que aos pouquinhos eu percebo que meu feed se torna cada vez mais uma fonte de inspiração, e de lembrete daquilo que eu realmente quero para mim.