A arte de viver com menos

O mundo em que vivemos nos ensina permanentemente a querer MAIS.

Mais dinheiro, mais amigos (virtuais), mais comida, mais roupas, mais velocidade, mais tudo.

O problema, etimologicamente, até, é que quem sempre quer mais nunca está satisfeito. Porque a idéia de mais é contraditória à de suficiência.

Desejar sempre mais provoca também mais angústia, mais insatisfação e mais stress.

Um movimento que tem crescido muito, e que me encanta, é o minimalismo. Aprender a viver com menos. A ser feliz com menos. A desejar menos.

Não é um movimento fácil. Em um mundo onde somos constantemente bombardeados por propagandas, por um excesso de informação, é fácil sermos seduzidos pelo desejo de mais um qualquer coisa.

O problema é que o prazer de adquirir mais qualquer coisa dura muito pouco. Porque assim que o desejo do consumo é satisfeito, o prazer acaba. É substituído por um desejo novo.

Eu sinto isso muito com informação. Desde sempre, sou apaixonada por conhecimento. Mas, se quando eu crescia, a gente conhecia, desejava, comprava e consumia um livro ou revista novos com comedimento, hoje a oferta chega a ser desorientadora.

E a gente sucumbe ao desejo de navegar mais um pouquinho de link a link, muitas vezes sem acabar de ler o anterior.

E de descer só mais um pouco no feed do facebook, para ver se tem mais alguma novidade.

Comprar livros? Basta um clique na Amazon, e o livro está na tela.

Assistir mais um episódio da série predileta? Por que um só? Dá para passar a noite em claro e ver logo a temporada inteira no Netflix.

Este é o meu exemplo. Mas isto vale para quase tudo no mundo atual. Muitas novidades nos levam a comprar. E as muitas outras novidades disponíveis, não nos permitem saborear a que acabamos de comprar.

Pior: este ciclo de desejar, adquirir, e desejar novamente, coloca nossos cérebros em um foco permanente na infelicidade, na insatisfação. E nos tornamos permanentemente carentes no meio de um excesso de coisas.

E mudar não é fácil. Por isso o título deste texto fala de uma arte.

A propaganda nos induz a comprar. A internet nos bombardeia permanentemente com informações sobre novos produtos e modelos ligeiramente diferentes daquilo que já temos. Os posts de nossos “amigos”no facebook sempre chamam atenção para o último modelo daquele gadget, ou aquele sapato novo, ou o brinquedo novo…

E a gente se vê desejando aquelas coisas, com total convicção de que elas vão nos fazer mais felizes.

Quem aqui nunca redescobriu uma roupa esquecida no guarda-roupa? Ou livro comprado e nunca lido? Ou alguma comida na despensa que passou da validade? Porque a gente compra tanto que perde o controle da própria vida. Esquece o que tem e compra mais e mais do mesmo.

Tente se lembrar de quando você viaja. É muito mais fácil decidir o que usar quando a escolha está resumida a um conjunto pequeno de peças. A maioria das pessoas quando viaja, acaba privilegiando peças coringa e uma ou outra peça com mais personalidade. E é assim que deveria ser com tudo o que possuímos.

Muita coisa tira o nosso foco do que é essencial. Do que realmente importa. Aumenta o trabalho e o stress de gerenciar tanta coisa. E tira o prazer de realmente apreciar o que se tem – ou seja, nos faz menos felizes.